O 45º Festival de Cinema de Gramado contou com inúmeros momentos
marcantes desde a sua abertura oficial no quinta-feira, dia 17 de agosto. A
equipe de cobertura da Universidade Feevale esteve presente em três dias do
evento, tendo início no dia 22 e terminando no dia 24.
No primeiro dia em que a equipe se deslocou da universidade até a serra
gaúcha, já encontramos o diretor de animação e Chief Executive Officer da
produtora Otto Desenhos, Otto Guerra, que foi um dos homenageados desta
edição do Festival. Na entrevista que realizamos, Otto salientou sobre acreditar
que o cinema é uma grande arma política e que deve o seu sucesso por trabalhar
através da sua liberdade e paixão.
O Museu do Festival também atraiu olhares do público, devido ao seu
constante processo de atualização. Em uma conversa com a equipe da Feevale,
a museóloga e curadora do museu, Daniela Schmitt, explicou: “o museu é vivo,
ele nunca vai estar pronto, finalizado. Ele sempre irá trazer novas informações
para dialogar com o público mais jovem. Esse não é um museu para adultos,
queremos atender a todas as idades”. Daniela também contou que pretende
ampliar o discurso no museu para abranger a cinematografia nacional, latinoamericana
e norte americana.

Pouco antes da estreia do filme “A Fera na Selva”, o diretor e ator do longa
brasileiro Paulo Betti conversou com o pessoal da equipe da Universidade
Feevale. O ator comentou sobre o desafio de dirigir um filme de conteúdo
filosófico e psicológico, baseado na obra literária de Henry James. “Ele não vive
o momento presente então o filme é uma espécie de grito. Vamos viver aqui
agora, talvez nós aqui estejamos vivendo o melhor momento de nossas vidas”,
contou.
O segundo dia de cobertura iniciou com uma presença de peso. A equipe
da Feevale entrevistou a atriz e parceira de direção do filme “A Fera na Selva”,
Eliani Giardini.
Na tarde desse mesmo dia, o Palácio dos Festivais exibiu o documentário
“Pitanga”, conta a história de Antônio Pitanga, ator consagrado, com mais de 60
filmes e 30 telenovelas ao longo de sua carreira. O longa-metragem foi dirigido
por Camila Pitanga, filha de Antônio, e Beto Brant. Antes da exibição do filme,
Antônio e Camila subiram ao palco e comentaram que o objetivo do
documentário não é contar sua história e sim contar como o Brasil desenvolveu
seu cinema, sua história, juventude e democracia. Antônio recebeu o Troféu
Cidade de Gramado, que é entregue aos grandes nomes que contribuem para
desenvolvimento do cinema nacional e do próprio Festival de Cinema na noite
do dia 23.

O último dia de cobertura do Festival de Cinema contou com o depoimento
do sócio do Canal Brasil, Paulo Mendonça, em um painel intitulado “Canal Brasil
e o Cinema Brasileiro”. Segundo Mendonça, o intuito é não ter um olhar crítico,
mas sim um olhar para o cinema brasileiro, prezando pela qualidade e relevância
do material. Paulo Mendonça contou a trajetória do canal, ressaltando que que
o país necessitava muito desse espaço exclusivo de representatividade de seu
cinema.
A atriz e participante de programas exibidos pelo Canal Brasil, Bárbara
Paz, estava presente na plateia do debate apresentado pelo sócio do canal. A
equipe da Feevale conversou com a atriz, que comentou da importância de um
Festival com tamanha grandeza. “O Festival abrange o cinema e a cultura
brasileira e espero que dure por muitos anos. Me sinto honrada de poder
comparecer e participar do júri deste evento”, disse.

Em uma conversa sobre Realidade Virtual, o diretor Ricardo Laganaro
apresentou a evolução do AR (realidade aumentada) e VR (Realidade Virtual),
que vem crescendo no mercado e produzindo conteúdo relevante. Para Ricardo
essa é uma “máquina de teletransporte”, já que consegue levar o expectador a
qualquer lugar, em qualquer ângulo. o diretor trouxe para a plateia uma pequena
mostra do documentário Step to the line, que produziu nos EUA e conta como
funciona um programa de reabilitação de uma prisão de segurança máxima.
Laganaro foi enfático ao dizer que este não é o futuro do audiovisual, mas sim o
presente.
Por fim, o último dia de cobertura da Universidade Feevale foi encerrado
pela entrevista com Iuli Gerbase, assistente de direção do filme BIO. O longa
documental conta a história de um homem que nasceu em 1959 e morreu em
2070. “A história é contada pelos personagens que conviveram com o principal.
É a verdade sobre um homem que não sabe mentir”, contou Iuli, filha do diretor
do filme, Carlos Gerbase. Quando perguntada com a relação com o seu pai,
revela que Carlos é um diretor muito flexível, ressaltando: “já tive experiências
com outros diretores, mas trabalhar com o meu pai não me decepcionou”. O filme
foi exibido pela primeira vez na noite do dia 24 e reapresentado na manhã do dia
25.
Eduarda Spanevello, acadêmica do 2º semestre de Jornalismo da Universidade Feevale